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terça-feira, 27 de setembro de 2016

AIDENTO POESIA:FELIPE CAMARÃO: O BERÇO DA CULTURA POTIGUAR

Dando continuidade na comemoração dos 100 anos do bairro de Felipe Camarão uma linda poesia sobre o bairro.

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FELIPE CAMARÃO: O BERÇO DA CULTURA POTIGUAR

 de Sírlia Lima


Para todos os leitores
Quero me apresentar
Eu sou Sírlia Lima
E em versos vou falar
Porque aprecio a cultura
E as belezas do lugar


Quando a inspiração chega
Entro logo em ação
Pego lápis ou caneta
Sempre com papel na mão
Vou falar sobre o bairro
De Felipe Camarão

Situado na Zona oeste
É um bairro muito belo
Data de sessenta e oito
Fundado por Agnelo
Foi criada uma Lei
E bateram o martelo

Um bairro cercado por Dunas
E também contradição
Se de um lado tem cultura
De outro tem preocupação
Se a droga adentrou
A cultura é a salvação

O povo de Felipe Camarão
É um povo habilidoso
Que luta por seus direitos
Nunca fica ocioso
E hoje suas conquistas
Deixa o povo orgulhoso

A população foi à luta
Desde a sua fundação
Todos se empenharam
Em forma de mutirão
E às autoridades
Faziam reivindicação

Foi por meio do trabalho
Não à custa de esmola
E assim foi construída
A primeira escola
Um povo que luta
É um povo que decola

A união do povo
Tem caráter identitário
Construíram a igreja
E o centro comunitário
O povo não se acomoda
Tem espírito libertário

Lutar por seus direitos
É do povo a diretriz
Conseguiram posto médico
Clínica e chafariz
O poder emana do povo
A democracia diz


Se de um lado vemos Dunas
Em nosso olhar vemos a tela
Que nos traz a natureza
Com nuances muito belas
Mas também existe gente
Que habita na favela

Devemos voltar o olhar
Com gestos de candura
Enxergar que mora gente
Que vive sem estrutura
Pela falta do emprego
Já vive de amargura

A mídia com seu poder
Criou a fama de mal
Nesse bairro que é tão belo
Da cidade de Natal
Só enfatiza o bairro
Em crônica policial

O povo de Felipe Camarão
É um povo guerreiro
É a casa do Boi de Reis
Do grande Mestre Marinheiro
O povo herdou essa cultura
E espalhou pro mundo inteiro

Lá também tem poetas
Tem cultura a granel
Tem também mamulengos
Do grande Chico Daniel
Vamos ter que difundir
Pra cumprir nosso papel

A cultura em neste bairro
Impulsiona, fervilha
Palpita no coração
E o povo segue a trilha
Com a ginga da capoeira
Com a arte o povo brilha

As artes que lá existem
É do povo o tesouro
Tem Boa vontade
E também Cordão de ouro
Vamos expandir a arte
Para o futuro vindouro

Felipe Camarão
É orgulho para o Brasil
Espalhou-se pelo mundo
O nosso Pastoril
Tem o Peixe encantado
Que é do povo varonil

Sei que não falei de tudo
Mas aqui vou encerrar
Eu tracei um perfil
Espero te agradar
Eu me chamo Sírlia Lima
Sou poeta popular

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

AIDENTO POESIA - Sentimentos

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

O aidento poesia trás o melhor da Poesia Potiguar, mostrando o melhor que o Rio Grande do Norte tem para oferecer.


 

 

Sentimentos

Foram feitos para serem sentidos...

Vividos...

Compartilhados...

Não Fuja.

Sim,

Alguns são doloridos.

Sim,

Alguns são intensos.

Sim,

Alguns são serenos.

Sim,

Alguns são amargos.

Sim,

Alguns encantadores.

Sim,

Alguns são ácidos.

Sim,

Alguns são mágicos.

Não,

Nenhum é desnecessário.

Experimento.

Alguns tem sabor de pedacinho de céu.

Não,

Nem todos.

Não tenha medo.

Não seja superficial.

Encare.

É para isso que existe a metamorfose.

Chore!Grite!Fale...

Mas não deixe de sentir.

Não tenha vergonha.

Sentir é normal.

Você não pode controlar.

Sentimentos são selvagens.

Não há nada que se possa fazer a repeito.

Apenas...

Sinta!

Liberte-se!

THEREZA  MARINHO

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

AIDENTO POESIA -

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

O aidento poesia trás o melhor da Poesia Potiguar, mostrando o melhor que o Rio Grande do Norte tem para oferecer.

Deixe a gota cair.
Deixe a vista escurecer.
Deixe a alma esquecer.
Não, não é pecado.
Deixar o corpo sentir a dor da alma.
Mas, por favor...
Não se esqueça.
Que a vida não é apenas preto no branco.
É uma linda tela em branco.
Esperando uma dança para enche-la de cor.
Para cada dia ruim, há sempre dois para se sorrir.
Não se esqueça.
Que o joelho no chão.
E a fé no coração...
Não é em vão...
Eu sei, mas do que gostaria de saber.
Que não estava nos seus sonhos de criança várias doses de decepção.
Mas calma, você ainda é uma criança.
Nessa metamorfose dura da vida.
Não é pecado.
Chorar por bobagens.
Mas não esqueça...
De sorrir por qualquer motivo que seja.
Não deixe que tirem a magia do seu coração de criança boba.
Deixa a lágrima cair.
O sono aconchegar.
O Pai cochichar:
"Não, não chore mais..."

THEREZA MARINHO

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

AIDENTO POESIA - Palavras ...

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

 

O mundo das idéias livres...

tais quais são pensadas,

moldadas...

Verdades? Palpitações.

Mentiras? Esferas.

Confronto concreto dilapidando

mentes,

aclarando fontes,

obstruindo estantes.

Diálogos ampliados,

resumidos, trocados,

mal compreendidos.

Esticados ao máximo

de suas línguas,

bocas impotentes.

Para a clausura eterna

do fogo que as lança

ao mundo do imaginário.

Do “Livro das Palavras”. In: O Chamado ou o cântico para a liberdade e outras poesias. 2ª. ed. São Paulo: Editora Scortecci, 2008.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

AIDENTO POESIA - Solta no mundo

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.


Estou abafada,
presa dentro de mim mesma.
Queria dizer uma palavra apenas para minha alma sôfrega.
Há algo dentro desta alma sempre em plantão,
sempre atenta, agitada, em rebelião.
Sonhos confusos, estradas perigosas.
Palavras secretas como se o medo de pronunciá-las fosse se tornar meu castigo,
minha pena, por ousar tanto!

Vejo ao longe uma menina
andando numa bicicleta vermelha.
Tão livre, tão doce, tão inteira de si!
Já me perdi tantas vezes que nem  enxergo mais o caminho certo.
Nem o que leva a mim, aos meus desejos, a minha própria voz.

O sol bate firme na estrada de terra batida,
vermelha,
cortada por curvas, subidas, descidas, atalhos...
Sombreada pelas árvores e encostas...a menina corre na bicicleta.
Ignora os obstáculos.
Pode até cair, mas continua.

Procuro essa força da criança que cresceu em mim.
Procuro a valentia,
os sonhos verdadeiros, sem enigmas, sombras ou neblinas.
Procuro os caminhos de uma direção só: o futuro, o adiante,
o que se vê à frente, na próxima esquina, o mais distante que as pernas puderem alcançar.

AUTORIA NÃO CONHECIDA ( CASO O AUTOR OU ALGUÉM QUE O CONHEÇA VEJA ISSO, FAVOR CONTACTAR COM O NOME DO AUTOR E LINK PARA SEUS TRABALHOS)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

AIDENTO POESIA - Rimas para palavras e palavrões

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

--- Walter Medeiros
Quando o homem foi criado
No meio da natureza
Foi uma grande surpresa
Prá boi, macaco e veado,
Era tudo uma beleza
Não existia tristeza
No vale nem no cerrado.
Mas essa vida pacata
Que existia na terra
Tempo de paz e sem guerra
Não tinha nem opercata
Logo, logo se encerra
Pois lá do alto da serra
Surgiu o que se relata.
Para melhorar o mundo
Foi criada a mulher
Duma costela qualquer
Nasceu em um só segundo
Aí o homem, com fé,
Foi correndo prá maré
Mas não ia até o fundo.
Aconteceu muita coisa
E o tempo foi passando
A terra se povoando
Pelo homem e a esposa
Hoje a terra vai rodando
Todo mundo se estranhando
Até sapo e mariposa.
Antigamente o respeito
Era quase natural
Na zona urbana e rural
Era tudo de outro jeito
Hoje a coisa vai mal
E tudo que é imoral
É o que tá sendo feito.
Em qualquer lugar que vou
Encontro pornografia
Tem delas que arrepia
Quem nunca se acostumou
A ver no seu dia-a-dia
Essa linguagem vazia
Que a cultura dominou
Mas aqui não vou rimar
Com as palavras que malho
Prefiro jogar baralho
A tais palavras usar
Se eu cometer ato falho
De qualquer santo me valho
Prá me penitenciar
Muita gente já sentiu
Algo triste de verdade
Pois até a liberdade
Recebe agressão vil
Quando vê essa disputa
No meio de tanta luta
Pelo bem desse Brasil
E nunca tem quem socorra
Nosso querido idioma
Pois até gente de fama
Fala palavrão na zorra
Não quero uma redoma
Mas eu me sinto na lama
Feito uma velha cachorra
A coisa é mesmo preta
Isso não posso negar
Pois vejo em todo lugar
A rima da clarineta
Mas consigo escapar
Aqui basta me lembrar
Dos olhos de Mariêta
Até mesmo o mais sublime
Envolvimento de amor
A palavra deturpou
Acho isso quase um crime
Pois quem se enamorou
E fez lá o seu amor
De outra forma se exprime
Tem rima também prá poda
Nesse linguajar tão chulo
Que faz qualquer um dar pulo
Feito um samba de roda
Isso também não engulo
Algo que era tão fulo
Agora é a maior moda.
E o verbo que se vê
Quando alguém se revolta
E a sua ira solta
Manda logo que você
Chamado de idiota
E não é uma lorota
Vá se... eu não vou dizer
Mas de toda essa verdade
Aquela que choca mais
É quando se vê casais
Sem a menor caridade
Dizerem que são os pais
De crianças imorais
Mesmo em tenra idade
É como o Rei ficar nu
O tom da pornografia
Pois nomes que não se via
Para rimar com umbu
Agora em vez de umbuzada
A rima fica danada
Pois não dizem nem caju
Lembro quando era menino
E via com aspereza
Falarem em safadeza
Era o maior desatino
Agora é uma tristeza
Acabaram com a beleza
Do inocente pequenino
Mas ainda tenho fé
Que o forró do sertão
Aquele do Gonzagão
Será sempre o que é
Mensagem de emoção
Sem a besta apelação
Do Calcinha de mulher.
Acho que falo verdade
Quando digo que o povo
Tem amor ao que é novo
Mas gosta de qualidade
Sei que tudo não resolvo
Mas aqui agora eu louvo
Quem faz o bem com vaidade.
Isso não me santifica
Não é isso que procuro
Esse é um páreo duro
Pelo que significa
Mas almejo no futuro
Um idioma tão puro
Que nem a água de bica
Esse é o meu recado
Espero ser entendido
Senão estarei perdido
Andando prá todo lado
Quero que tenham sentido
Como é feio o alarido
Do pornô banalizado.











































































































































quarta-feira, 9 de setembro de 2015

AIDENTO POESIA - A sina do pernambucano inocente que ficou 19 anos preso

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

--- Walter Medeiros
Neste mundo esculhambado
Em que temos de viver
Vou contar para você
Sobre um homem injustiçado;
Uma história de tremer
Que deu muito o que fazer
E condenou o estado.
O estado de Pernambuco
Cometeu danos morais
E também materiais,
Uma coisa de maluco;
Contra um jovem rapaz
Que era forte e sagaz
Mas virou um vuco-vuco.
Pois esses incríveis danos
Vêm de algo impertinente
Prenderam ilegalmente
Um homem só por engano;
Debaixo do sol poente
Essa prisão diferente
Durou dezenove anos.
Tal violação humana,
A maior que já se viu,
A justiça decidiu,
Mas ali não basta grana;
Pois tudo repercutiu
E uma vida ruiu
Porque o estado se engana.
Duas vezes por engano
Foi preso e encarcerado,
Nada ficando provado
No fórum pernambucano;
Do Cabo ele foi levado
E apareceu o culpado
Que estava se esquivando.
O mecânico e motorista
Era um homem bondoso,
Bom filho e bom esposo,
Não era mercantilista;
Mas tido por perigoso
Acabou todo seu gozo
Não pode mais ser passita.
Na Aníbal Bruno preso
E na Barreto Campelo
Não é o melhor modelo,
Sofreu o maior desprezo;
Nunca lhe tiveram zelo,
Foi tempo de desespero
Qualquer um ficava teso.
Não tinha banho de sol
E era violentado,
Sofria de todo lado
Querendo sair do rol;
Como todo injustiçado,
De capitão a soldado
Não davam nem Bezerol.
Alguém que nunca foi gênio
Tirou a sua visão
Em uma rebelião
Inda no outro milênio;
Na cela, sem compaixão,
Atacaram-lhe então
Com o gás lacrimogênio
O Marcos M. da Silva
Não recebeu garantias,
Ninguém no mundo ouvia
Sua constante assertiva;
Em sua cela todo dia
A história repetia
Mas lhe deixaram à deriva.
Acusado falsamente
Marcos viu desmoronar
Tudo que tinha em seu lar
Acabou bem de repente;
Não conseguia falar
Com os chefes do lugar
Mandavam sair da frente.
Contraiu tuberculose
Quando estava na prisão,
Também perdeu a visão
Me diga se não é dose;
Isso não é ficção,
É história de uma ação,
Com isso não há quem prose.
Naquela cela, tão só,
Quase que ele morreu,
Mas como sobreviveu
Lembra a história de Jó,
Com a fé que Deus lhe deu
Esse tempo ele venceu
Nunca vi cousa pior.
Se um ser humano erra,
Erra mais que julga errado
Deixando encarcerado
Inocente dessa terra;
E tem julgador malvado
Que julga precipitado
Nem olha se o réu berra.
Marcos perdeu liberdade,
Ficou na prisão sofrendo,
Treze anos padecendo
Essa é que é a verdade;
Um caso muito horrendo
Que só merece adendo
Da falta de caridade.
Claro que alguém falhou,
Cometeu grande imprudência,
Pois não houve paciência
Pra ver o que alegou;
Bradando sua inocência
Marcos não teve clemência,
Cada vez mais se afundou.
Foi o capitão Galindo,
Novo chefe da prisão
Que fez a reparação
E deu seu sofrer por findo;
Pelo menos desde então
Cumprindo a sua missão
Mandou que fosse seguindo.
No presídio nada havia,
No cartório também não,
Nada contra o cidadão
Documento algum dizia;
Na vara da execução,
Mais uma confirmação
Da própria secretaria.
O juiz da transferência
Diz que não lembra de nada;
Carreira imaculada,
Mas assinou a sentença;
Diz que não fez coisa errada,
Mas lascou o camarada
Ora tenha paciência!
No fim de todo esse horror,
Despido de vaidade,
Para buscar a verdade
Foi um desembargador;
Com toda dignidade,
Por nossa sociedade
Pediu perdão e falou.
Doutor Fernando é o nome
Do homem que levantou
Perto de Marcos chegou,
Viu que o sofrer não some;
A sua mão apertou,
O fórum todo chorou
Com o gesto daquele homem.
Marcos terá 2 milhões,
Decidiu o tribunal,
Uma quantia legal,
Mas não paga emoções;
Não corrige todo o mal,
Nem pune ação ilegal
Dos julgadores errões.
Diz um nobre advogado
Que o Marcos teve sorte;
Se fosse pena de morte,
Ela já estava enterrado;
Justiça precisa norte
E isso é uma prova forte,
Verdadeiro arrazoado.
Marcos vai ter o dinheiro,
Mas perdeu sua visão,
Sofreu mais do que Sansão,
Pois passou o tempo inteiro
Sem ter dinheiro na mão,
Tudo que ouvia era não
Do povo interesseiro.
E quem fez ele sofrer,
Será que irão pagar?
O estado vai deixar
Simplesmente esquecer
Quem achou de condenar
Sem as provas confirmar
A tamanho padecer?
Será que é desse jeito,
Condena e fica por isso?
Onde está o compromisso
Que algum dia foi feito,
De nunca ser submisso
Cumprir bem o seu ofício
Em favor do bom direito?
Aquelas “autoridades”
Que condenaram ao calvário
Pelo cárcere diário,
Dias de atrocidades,
Não vão virar réu primário
Têm vultoso salário
Nem gostam dessas verdades.
Não é um caso isolado,
Com certeza temos mais,
Vez por outra nos jornais
Surge alguém injustiçado;
E o Estado nada faz
Para garantir a paz
De um povo desencantado.
Agora a gente imagina
O homem perder a pista
Sem ter nada que assista,
Como foi a triste sina,
Nesse mundo de conquista
O que é perder a vista
Deixar de usar a retina.
Mas tem gente mais injusta,
Que inda culpa o réu
Como se fosse um Céu,
Pois não sabe quanto custa
Ficar tanto tempo ao léu
Cumprindo triste papel
Esse quer ser uma “busta”.
Marcos diz que procurou
Ajuda de muita gente,
Dizia ser inocente,
Mas ninguém acreditou;
Pois nunca é diferente
Pode ser incoerente
Ninguém nunca lhe ajudou.
Agora é tocar a vida
Como Deus lhe aprouver,
É isso que o povo quer,
Mas é grande a ferida;
Precisa de muita fé
Prá continuar em pé
Mesmo já tendo guarida.
Que isso sirva de lição
Aos senhores da Justiça
Continuem nessa liça
Mas procurem a razão;
Sem moleza nem preguiça,
Pois quem erra só atiça
O mal em muita ação.
Termino emocionado,
Pois não é fácil saber
Que alguém teve de viver
Um tempo tão assombrado;
Um abraço prá você
Que conseguiu tudo ler
Pois é muito abençoado.
Até qualquer outro dia
Nas rimas do meu cordel
Rogando ao grande Céu
Uma bela fantasia
Para algum menestrel
Trazer histórias de mel
Repletas de alegria.




















































































































































































































































quarta-feira, 2 de setembro de 2015

AIDENTO POESIA - A despedida de Teodorico, o filho mais velho de Zaqueu

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

--- Walter Medeiros

Aquela luz que ilumina
Aqui no meu pensamento
Sempre tem o seu momento
Que começa e termina
Pois agora eu me sento
Prá escrever rápido ou lento
Um caso que me fascina.
É um fato verdadeiro
Que aqui eu vou narrar
Pois quero compartilhar
Esse caso por inteiro
Onde o sertão virou mar
Existia um lugar
Que criava cangaceiro.
Pois foi num tempo antigo
Que a história sucedeu
O filho de seu Zaqueu
Tinha o irmão por amigo
Mas foi um engano seu
Um momento ele viveu
Correndo sério perigo
Chamava-se Teodorico
Aquele jovem rapaz
Que não suportava mais
Dizia que nenhum tico
O regime dos seus pais
Com castigos colossais
Era de pedir penico.
O homem era rigoroso
Castigava prá valer
Coisa de estremecer
Aquele pai horroroso
Fazia os filhos gemer
Sem saber o que dizer
Para um homem tão raivoso.
Os meninos apanhavam
Eram surras de chicote
Tinham que ser muito forte
Prá tudo aquilo agüentar
Sonhavam com outra sorte
Talvez até ir pro Norte
Para a vida melhorar.
Teodorico sonhava
Com a sua liberdade
Queria ter mais idade
Prá mandar tudo às favas
Mas enquanto era menor
Não podia seguir só
Pois o pai jamais deixava
Enquanto o tempo passava
Ele ia matutando
Um plano arquitetando
Pois a coisa tava brava
Sofrendo ia esperando
Em onde, como e quando
Saía e se libertava.
Mas um dia foi demais
Ele nunca esqueceu
Pois a coisa assim se deu
Com o tristonho rapaz
Obedecendo a Zaqueu
Quase que ele morreu
Porque demorou demais
Ele saiu do roçado
E foi até o barreiro
Teria que ir ligeiro
E dar água para o gado
Porém desobedeceram
E na água se meteram
Demorando um bocado
Quando chegaram de volta
Zaqueu estava bufando
E logo ele foi pegando
Um pau que nem se entorta
Perguntou o que sabia
E ouviu o que queria
O resto não lhe importa
Os meninos só culparam
O irmão Teodorico
O pai não fez nenhum bico
Logo todos escutaram
Cada paulada um grito
Daquele jovem aflito
Que os irmãos acusaram
Depois de quinze minutos
Prostrado lá no terreiro
Só se via o sangueiro
Parecia um bicho bruto
Cortes pelo corpo inteiro
Levado para o celeiro
Era um verdadeiro luto
O tratamento que havia
Era o mais natural
Lavar com água de sal
Era tudo que podia
Não existe nada igual
Àquele gesto animal
Uma grande covardia
Mas era assim que era
O costume do sertão
Gestos de humilhação
Aconteciam de vera
Sem qualquer contemplação
Era a lei do bordão
Parecia uma galera
No outro dia, quebrado
Sem poder nem se mexer
O pai inda foi querer
Que fosse para o roçado
Mas a mãe foi convencer
Que não havia porquê
Ser ainda mais malvado
Mas lá no seu pensamento
Teodorico almejava
Para o dia que chegava
Um outro discernimento
A coisa era muito brava
Mas uma fuga preparava
Nem que fosse num jumento
Passaram-se alguns dias
Tudo voltava ao normal
Mas numa questão moral
O rapaz se prevenia
Arrumou mala e bornal
Fugiria prá Natal
Ninguém mais o deteria
Só que quando ia fugir
Preferiu peitar a fera
Parecia uma quimera
Mas resolveu lhe pedir
Que de forma bem sincera
Resolvesse como era
Que deveria partir
Aí teve uma surpresa
Na dureza de Zaqueu
Pois ele estremeceu
Olhando para Tereza
Escutou e entendeu
A fala do filho seu
Com uma cara de tristeza
Nunca ninguém no sertão
Tinha visto coisa assim
O homem cor de carmim
Parecia um pimentão
Olhou pro filho e enfim
Disse pois se é assim
E não vou impedir não.
Faça lá da sua vida
O que você bem quiser
De jumento ou a pé
Procure sua guarida
Você sabe como é
Mas quando a gente quer
Procura a melhor lida
Naquele exato momento
Ele se surpreendeu
Pois nos olhos de Zaqueu
Num toque singelo e lento
Uma lágrima rompeu
E um abraço se deu
Ante tão vasto relento.
O filho foi lhe dizendo
- Tava de mala arrumada
e hoje a minha parada
eu posso até não tá vendo
mas nesse mundo mais nada
nem a ponta de uma espada
brecava o que to querendo.
Dali ele foi embora
E a mãe ficou chorando
Os irmãos se lamentando
Mas tinha chegado a hora

Pela estrada andando
Sua história foi contando
Todo dia, mundo afora.
O que dali se passou
Eu só vou contar depois
Só sei que cuidar de bois
Ele nunca mais cuidou
Despeço-me aqui, pois
Dizendo que aqueles dois
A vida não mais juntou.

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

AIDENTO POESIA - Todos somos poetas

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

Todos somos poetas
Isso é inerente ao ser humano
Escrevendo o amanhã sobre as lágrimas derramadas do passado
Transformando a dor em obra de arte
O aprendizado vem ao final do parágrafo de um texto que parece nunca ter um ponto FINAL.
Somos poetas, pintados de palhaços, mas ainda poetas.
Nus nesse jogo de poder que é a vida.
Olhares cheios de poesia.
Tentado transformar esse mundo cheio de erros em uma linda pintura de papel.
Implorando para que ninguém ouse ter a maldade de rasgar nossos sonhos em pedacinhos.
Alguns são poetas quando a dor alcança o coração.
Pois em um encanto o conto que se conta alivia nem se for por um instante o que nenhum remédio consegue fazer.
Alguns são poetas quando a Primavera começa aparecer.
Sua sensibilidade começa florescer tão bela como os Ipês que embelezam o meu olhar.
Alguns são poetas no amor.
Traduzindo em versos o que nunca poderia ser apenas dito em palavras banais.
Alguns são poetas de fé.
Toda sua esperança de um amanhã melhor é carimbado em uma caligrafia qualquer em um caderno que fica no baú dos sonhos.
Ser poeta, a  profissão mais fácil e ironicamente a mais difícil.
Despir-se dos medos, joga-los ao relento e deixar as palavras aquecerem o corpo frágil exige coragem.
Uma coragem cruel, pois tem que ter sensibilidade.
Isso mesmo, ser sensível é o ato mais corajoso que existe.
Não torna ninguém frágil e sim vulnerável.
Porque a rosa sempre irá encantar os seus olhos, mas os espinhos irão está lá para mostrar que a felicidade nunca está desacompanhada.
E todas as vezes que sentir a felicidade de sentir o aroma daquela rosa, também sentirá a dor que é tocá-la.
Sabe o que é mais verdadeiro nisso?
Que mesmo sabendo o quanto aqueles espinhos podem incomodar suas macias mãos, você nunca deixará  de sentir o prazer que é segurar aquela rosa.
A sensibilidade ensina que qualquer prazer feito na base dos mais nobres sentimentos sempre será maior que a dor.
Ser poeta é mais do que ter uma caligrafia qualquer em um pedaço de papel.
É confiar em si e nos outros.
É amar os mínimos detalhes e repudiar tudo aquilo que vai contra as leis do amor
E é à cima de tudo ter a sensibilidade de enxergar que todos estamos em uma grande escola chamada vida, onde as palavras são a forma mais simples que existe de comunicação e a mais complexa no quesito compreensão, todavia até um amante por palavras deve saber que há momentos na vida que são indescritíveis e que só a poesia do universo é capaz de descrever o que o Homem nunca conseguirá.
THEREZA MARINHO

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

AIDENTO POESIA - Não me conformo com a falta de amor.

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

Não me conformo.
Não me conformo com a falta de amor.
Não me conformo com as pessoas enxergando apenas o defeito uma das outras.
Não me conformo com a guerra.
Não me conformo em como as amizades são fúteis.
Não me conformo com a falta de intimidade.
Não me conformo com as pessoas colocando o dinheiro a cima de tudo.
Não me conformo com o mundo que eu vejo todos os dias diante dos meus olhos.
Mas isso não importa.
O mundo não vai mudar porque eu quero.
As pessoas não vão mudar suas atitudes porque eu desejo.
Eu só posso mudar o meu ser.
Ser o que eu gostaria de ver nas pessoas.
Eu só posso mudar minhas atitudes.
Fazer o que eu gostaria que fizessem comigo.
Eu só posso escrever sobre o amor.
E esperar que alguém leia e entenda que o amor é essencial e não superficial.
Eu só posso amar como se não houvesse amanhã.
Para honrar o que  Jesus disse "Tens de amar o teu próximo como a ti mesmo".
Eu só posso confiar nas pessoas.
E tentar deixar a minha vida como um livro aberto para todos lerem.
Eu só posso ser amiga.
A amiga que gostaria de ter ao meu lado.
Eu só posso soltar palavras doces ao invés de amargas.
As palavras que meus ouvidos gostariam de escutar.
Eu só posso não ser fútil.
E não me importar com o dinheiro que meu amigo tem no bolso, pouco ou muito, isso é totalmente desnecessário, pois dinheiro não forma caráter.
Eu só posso olhar as qualidade das pessoas.
Pois defeito todos temos e procurá-los nas outras pessoas é perda de tempo.
E só assim.
Tentando ser a melhor pessoa que eu posso ser.
Tenho esperança de mudar um pouquinho o mundo.
Tentando fazer a diferença.
Como diz a minha mãe: "Sendo um canalha a menos".
E é esse o meu conselho.
Pare de ver os defeitos do mundo.
Seja a diferença que você quer.
Não sei se estou tendo sucesso.
Mas estou tentando.
Essa sentencia não irei carregar.
Sempre me considerei um peixe fora d´água.
Hoje percebo que a expressão está certa.
Realmente não pertenço a lugar nenhum.
Mas isso não é algo ruim.
Descobri que vivo em um barco.
Sou a comandante dele.
O mar representa a vida, às vezes calmo outras nem tanto.
O barco em sim é os meus sonhos.
Me sustentam e me carregam nessa viagem.
A vela desse barco é minha mãe, pois é essencial.
O vento é a minha força de vontade,
Porque sem o mesmo o barco não vai a lugar nenhum.
O meu pai é os suprimentos que carrego no barco.
É o que me mantém viva.
As estrelas que guiam é Deus.
Orientando sempre o meu destino.
O tempo e o clima são os obstáculos.
Que sempre estão presentes e é preciso enfrentá-los com coragem,
Pois o barco não pode afundar.
E foi assim que percebi o quanto a minha viagem já era completa.
As pessoas são a paisagem.
Embeleza a vista, alegra a alma, mas não passam de um bom momento.
A paisagem muda e sempre há alguma para olhar e se encantar.
Há sempre durante a viagem alguém para salvar.
Alguém em um bote esperando ser socorrido.
Socorrer é fundamental.
Mas é sempre importante saber quem você vai colocar dentro do seu barco.
Porque em viagens assim excesso é um problema!
OBS: Curta a viagem, e só use a ancora onde seu coração estiver bem para ficar.
THEREZA MARINHO

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

AIDENTO POESIA - O que eu vi no seu olhar.

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

Deixa eu te dizer...
O que eu vi no seu olhar.
Não, não era um olhar perdido no meu.
Era um olhar que refletia o melhor do meu ser.
Vi você crescer.
Seu corpo mudar.
Sua voz ter mais força.
Mas seu olhar não mudou.
Carrega ainda a doçura da inocência da infância.
E a sabedoria de quem viveu uma eternidade no coração.
Consigo ver a força de uma mulher que quer ser livre.
E que procura essa liberdade nos olhos de outras pessoas.
Na verdade não sei o que dizer.
Me perdi olhando nos seus olhos.
Achei que podia ser poeta e ter a coragem de confessar.
Através de palavras selvagens a poesia que encontro no seu olhar.
Mas o que não consegui ver é que seu olhar já é uma eterna poesia.
São olhos de quem pede um pouco mais dessa vida insana.
São refletores de um sonho de criança boba.
Apesar dos males que vejo.
Nos seus olhos só vejo o lado bom da vida.
Não sei como consegue.
Isso incomoda muito a minha alma.
Mas admiro, pois um olhar como esse é uma utopia.
É a poesia mais utópica que já vi.
Nesse caso sou um poeta sem existência.
Minha verdade é transformar a mentira nas palavras mais sinceras.
Meu dever é fazer você acreditar que nada é utopia.
E que tudo é um sonho que as mãos sempre podem alcançar.
Eu não nasci para ser poeta.
Isso já deve ser fato.
Como todos nesse mundo, nasci para ser ninado nos braços da utopia.
Sonhar que estou realizando.
E acordar fingindo que estou tentando realizar.
Não importa.
Nada disso importa.
Deixe-me ficar por mais um instante.
Navegando nesse seu olhar.
Quando for chorar.
Serei o naufrago mais feliz.
E quando for sorri.
Sorrirá com o olhar.
E eu irei sentir que cheguei no paraíso.
Essa cor dissimulada, que ora é verde ora é mel.
Isso também não importa.
O que importa mesmo é esse sabor de amor que sinto no seu olhar.
THEREZA MARINHO

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

AIDENTO POESIA - A violência pegou Tadeu além da imaginação

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

--- Walter Medeiros
Soltei o meu pensamento
Na nossa realidade
Para buscar a verdade
Daqui e do firmamento
E encontrei estarrecido
Alguém que havia vivido
Por fora do nosso tempo.
Era um jovem rapaz
Que tinha uma vida sã
Mas numa certa manhã
Acidentou-se num cais
Ficando sem a memória
No auge da sua glória
E não refletia mais.
Essa jovem criatura
Feliz e estudiosa
Lia poesia e prosa
E histórias de bravura
Em um estado de coma
Ficou em uma redoma
Parado em sua cultura.
Sem ter notícia de nada
Aquele jovem, Tadeu,
Por trinta anos viveu
Com sua mente isolada
De lá dos anos setenta
Aonde a vida era tão lenta
Até 2000 foi parada.
De repente ele tornou
Para surpresa geral
Foi algo muito legal
E todo mundo vibrou
Mas não entendia nada
Com a mente perturbada
Quando um jornal olhou.
A manchete era chacina
Que ele achou chocante
E uma notícia adiante
Da morte de uma menina
Deixava bem mais chocado
Pois não era acostumado
Com tanta carnificina.
Tadeu tava curioso
Pela tecnologia
Pois inda não conhecia
Algo prá si estrondoso
Pois a tevê colorida
Era nova em sua vida
Olhava bem cauteloso.
Mas na tv foi pior
A surpresa que pegou
Pois quando alguém ligou
Ficou que fazia dó
Ao ver o noticiário
Lembrava-se do calvário
Pois sofria até Popó.
E viu buraco de bala,
Arsenal de arma pesada
Gente morta na calçada
Quase ele fica sem fala
Cena de troca de tiro
Tudo num pequeno giro
Que vida desmantelada!
Procurava ser discreto
Mesmo estando chocado
Dizendo-se admirado
Imaginava seu neto
Ao ver nova reportagem
Que mostrava a passagem
Do lixo que tinha um feto.
Atônito com tudo aquilo
Ele aguçava os sentidos
E mais tarde teve ouvidos
Prá um jogo de futebol
Foi a surpresa maior
Sorte é que não tava só
Quando viu aquele rol.
Era um rol de palavras
Que o narrador dizia
Como se o bem que havia
Tivesse ido às favas
Tudo era violento
Mesmo não tendo intento
De deixar pessoas bravas.
Tiro, canhão, artilheiro
Atacar e agredir
Ofender, matar, fugir,
Ele ouviu o jogo inteiro
Parecia uma guerra
Mas bom cabrito não berra
Ele inda tava cabreiro.
Aos poucos em sua mente
Lembrava do far west
Revistas, filmes - que teste!
Bang bang entre valentes
Mas como era ficção
Não cortava o coração
Era muito diferente.
Agora, bem ao seu lado
Violência e ameaça
Não podia ir à praça
Para não ser assaltado
Ou encontrar traficantes
Que em questão de instantes
Deixam tudo arrasado.
Que tristeza se abatia
Dentro do seu coração
Será que viveu em vão
Um tempo sem serventia?
Pedia a Deus prá ter fé
Pois sabia como é
Muito duro o dia-a-dia.
Dentro do seu coração
Palpitava um alvoroço
Era o fundo do poço
Uma banalização
Da vida do ser humano
Queria que fosse engano
Ou só uma ficção.
Mas tudo ia mais longe
Pois quando alguém não matava
O doente não escapava
Não tinha mais atenção
E gente morrendo a míngua
Inda dizem que é a língua
De alguém da televisão.
Pois foi lá mesmo então
Que uma notícia triste
De um fato que persiste
Causou grande comoção
Uma pessoa morrer
Pelo fato de não ter
Uma simples injeção.
É preciso ter cuidado
Com o nosso idioma
Pois sinto forte sintoma
Que é muito arriscado
Usar palavras pesadas
Violentas, carregadas,
Para tudo que é lado.
Disso tudo o pior
É que a ruindade domina
No trabalho, na esquina,
Filho, pai e até avó,
Um triste palavreado
Imoral, mal educado,
É uma feiúra só.
Não fica só por aí
Pois hoje em qualquer escola
Nem o diretor controla
Até eu mesmo já vi
Meninos, jovens, meninas,
Gritando coisas ferinas,
Que não dá para sorrir.
É uma mistura feia
De traficante de droga
Com um som que não empolga
A quem preza a vida alheia
Destruindo uma nação
Que anda na contra-mão
Onde já falta cadeia.
Nosso amigo estatelado
Começou a reagir
Dizendo que ia sair
Falando prá todo lado
Contra essa situação
Mesmo parecendo em vão
E até ficando marcado.
Como tudo é difícil
Na nossa sociedade
Mesmo falando a verdade
Acharam que era indício
De alguma outra doença
Pois é assim que se pensa
Neste país de suplício.
Arranjaram logo um jeito
De diagnosticar
Que ele ia precisar
De voltar para um leito
Consideraram anormal
Sua saúde mental
E tiraram seus direitos.
Aquele homem já são
Que via a realidade
Só por falar a verdade
Provocava aversão
Foi prá novo sacrifício
Internaram-lhe no hospício
No mais grave pavilhão.
Sumiu pelo corredor
Numa camisa de força
E não tem ninguém que torça
Por aquele sofredor
Foi mais uma conseqüência
Do mundo de violência
Que no Brasil se instalou.



































































































































































































quarta-feira, 29 de julho de 2015

AIDENTO POESIA - Pequeno folheto para o sertão da minha terra

O Quadro AIDENTO POESIA trás semanalmente uma boa poesia para os leitores apreciar. Com uma poesia diferente toda semana, e o melhor, autores regionais.

--- Walter Medeiros

Cidadão, caro leitor,
Dessa vez eu vou contar
Coisas de admirar
Que vivi no interior;
Morando entre as serras
Onde era a melhor terra
Num tempo que já passou.
Foi lá no alto sertão
Interior de Alagoas,
Que um monte de coisas boas
Pra minha admiração;
Eu passei em minha infância,
Que era um tempo sem ânsia,
No bater do coração.
Pra melhor lhe situar
Quero dizer como era
Sem remancho nem espera
A paisagem do lugar
Era um canto tão lindo
Que pela serra subindo
Demorava a chegar.
Tinha uma linda igreja
Onde a gente ia rezar
Outros iam namorar
Inda hoje se corteja
Soltavam até foguetão
Para comemoração
Com salgado na bandeja.
Na frente, uma pracinha,
Para onde todos iam
Não importa o que faziam
Não tinha gente mesquinha,
Eucaliptos cheirosos
Rodeavam, majestosos,
A festa das criancinhas.
Tinha um cruzeiro na serra,
Destino das procissões,
Chegavam até missões,
Muito carneiro que berra,
Melão Caetano no mato,
Pinto, porco, galo e pato,
Espalhavam-se na terra.
Na feira, vendiam tudo,
Cobertor para o frio,
Lamparina e pavio,
Opercata e canudo,
Corda, arreio e limão,
Roupa, picolé, sabão,
Até disco de entrudo.
Tinha ainda refeição,
Jerimum, carne de sol,
Casinha de caracol,
Ferrolho, lápis, carvão,
Até cachaça vendiam
E muitos dos que bebiam,
Findavam o dia no chão.
Mas na rua em que morava
Ouvia samba-canção,
Boleros, que emoção!
Era ali que eu brincava,
Tinha jipe, caminhão,
Passava até lotação,
Com o povo que viajava.
E vinham os carros de boi
Trazendo coisas da roça
De choupana ou de palhoça
Eu me lembro quando foi,
Pois eu pegava carona
Até debaixo da lona
Do carro de Zé Totôi.
Lembro-me daquela estrada
Meu pai fumando charuto
Um casamento matuto
A noiva toda enfeitada
Depois o arrasta-pé
Você sabe como é,
Uma poeira danada.
Mas nem só de alegria
Se vive lá no sertão,
Pois morrendo um cidadão
É feita uma romaria,
Cantando as inselença
Ali todo mundo pensa
No fim dos seus próprios dias.
Levei carreira de touro,
Caí até de cavalo,
Vi gente sangrando galo,
Eu tinha um grande tesouro,
Mel de abelha na mata,
No bolso nenhuma prata,
Mas valia mais que ouro.
Carreguei água em galão,
Chupei picolé no bar,
Vi o circo se armar,
E um palhaço do pernão,
Papangu no carnaval,
Que vida fenomenal,
A vida lá no sertão.
Era tudo muito bom
Cada um no seu lugar
Mas algo de arrepiar
Ás vezes mudava o tom
Pois pra resolver intriga
Tinha quem fosse prá briga
E o tiro virava som.
Ah! como lembro do dia
Em que ao amanhecer
Minha mãe chamou pra ver
A cena que se estendia
Pela calçada da gente
Uma cena diferente
Que quase que eu não cria.
Três ciganos estirados
Mortos em um tiroteio
Sem direito a esperneio
Foram logo baleados
O grupo pouco pacato
Era formado por quatro
Com mais um do outro lado.
O enterro foi chocante
Sem caixão e sem escala
Botaram em uma vala
O grupo de provocante
Que detratou a cidade
E não teve piedade
Mas encontrou a Volante.
Porém vamos retornar
Para as lembranças boas
Que não são petas nem loas
Pois pretendo inda contar
Das minhas contemplações
Carregadas de emoções,
De sol, de chuva e luar.
Creia que nem energia
Dessa que hoje se tem
Chegava ali nem além
Isso não se conhecia
Quando chegou Paulo Afonso
Para substituir o Ronson
E até hoje alumia.
Quando vejo aquela Igreja
Lá no alto da cidade
Sinto uma forte saudade
Tanto que até lacrimeja
Meu olhar quase cansado
Que não esquece o passado
Esteja onde quer que esteja.

















































































































































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